SAF do Fluminense: acordo com investidor um ano após e futuro incerto
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SAF do Fluminense: acordo com investidor um ano após e futuro incerto
Um ano se passou desde que a proposta inicial para transformar o futebol do Fluminense em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi apresentada ao Conselho Deliberativo, e a negociação com a Lazuli Partners segue sem uma definição concreta. As discussões giram em torno de ajustes nos termos propostos, com a expectativa de que uma oferta reformulada possa surgir ainda em 2026.
Pontos Cruciais da Negociação
O principal entrave nas conversas reside no valor do aporte financeiro inicial que os investidores pretendem destinar ao clube. Além da quantia em si, aspectos fundamentais como a governança corporativa e as cláusulas do acordo de acionistas estão sendo minuciosamente analisados. Esses mecanismos são considerados cruciais para garantir a proteção dos interesses do Fluminense em uma eventual futura venda da SAF.
Ritmo das Negociações
O processo de negociação da SAF sofreu uma desaceleração natural após a eleição presidencial do clube, que demandou um período de transição. A publicação do balanço financeiro referente ao ano de 2025 também era um fator aguardado para permitir o avanço das tratativas.
Pessoas ligadas ao mercado financeiro avaliam que a definição concreta do acordo pode demandar ainda algumas semanas. Internamente, no entanto, há um otimismo cauteloso quanto à possibilidade de uma nova proposta chegar ao clube ainda neste ano, o que poderia impulsionar discussões mais efetivas sobre a operação.
Situação Financeira Tricolor
Enquanto a negociação da SAF caminha em compasso de espera, o Fluminense precisa gerenciar sua delicada situação financeira. O clube tem mantido o pagamento dos salários do elenco em dia, apesar de alguns episódios pontuais de pequenos atrasos nos direitos de imagem terem sido registrados.
No mercado de transferências, a estratégia adotada pela diretoria tem sido marcada pelo parcelamento de contratações. O objetivo é manter o fluxo de caixa sob controle, negociando prazos e buscando um bom relacionamento com os credores.
O Peso da Dívida
A dimensão da dívida do clube é um dos principais argumentos que sustentam a discussão sobre a viabilidade da SAF. O presidente Mattheus Montenegro já havia destacado em agosto que, embora a dívida tenha sido equacionada, ela ainda não foi efetivamente reduzida. Os valores, corrigidos pela Selic, cresceram de R$ 860 milhões em 2019 para R$ 1,05 bilhão. O Regime Centralizado de Execuções (RCE) tem sido fundamental para evitar penhoras diárias e proporcionar um fôlego para o planejamento financeiro, com a dívida tributária parcelada em 10 anos e a cível sob o RCE.
Dependência de Receitas Extraordinárias
Outro desafio enfrentado pelo Fluminense é a dependência de receitas extraordinárias. O orçamento para 2026 previa cerca de R$ 200 milhões em vendas de jogadores, uma meta que o clube não conseguiu atingir. A principal negociação nesse sentido foi a saída do volante Bernal, durante a Copa do Mundo, por US$ 12 milhões, com o Fluminense detendo 60% dos direitos econômicos, o que resultou em aproximadamente US$ 7,2 milhões para o clube.
Impacto do Desempenho Esportivo
Diante desse cenário, o desempenho esportivo ganha ainda mais relevância. Uma eventual conquista da Copa Libertadores da América, por exemplo, poderia impulsionar significativamente as receitas previstas para a temporada. A premiação estimada para tal feito ultrapassa os US$ 27,3 milhões, valor que seria adicional ao orçamento que considerava apenas a classificação para as quartas de final.
Receitas da Copa do Mundo de Clubes
A análise da situação financeira atual também deve levar em conta o resultado de 2025. O Fluminense encerrou o ano com uma receita superior a R$ 1 bilhão, impulsionada pela campanha na Copa do Mundo de Clubes, na qual o Tricolor alcançou a semifinal. A participação no torneio gerou cerca de R$ 331 milhões, dos quais uma parte significativa foi destinada a despesas e compromissos financeiros.
Detalhamento dos Recursos
Mattheus Montenegro detalhou que, dos R$ 290 milhões líquidos recebidos da premiação da Copa do Mundo, R$ 72 milhões foram destinados à premiação dos jogadores e R$ 20 milhões ao pagamento de voos durante o torneio. Outros R$ 50 milhões foram utilizados para quitar acordos judiciais. Houve ainda a tentativa de realizar um leilão de R$ 10 milhões no RCE para quitar dívidas com credores que oferecessem desconto, mas sem sucesso, pois o clube já pagava as parcelas em dia. O valor remanescente ficou no tribunal para quitação de parcelas. Um excedente de R$ 120 milhões em receita foi utilizado para cobrir folha salarial e contratações de jogadores.
Alerta da ANSREF
Mesmo com a entrada extraordinária de recursos, o clube ainda lida com um passivo elevado e a necessidade contínua de gerar receitas recorrentes para honrar suas obrigações. No final de agosto, o Fluminense recebeu uma advertência de grau mínimo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANSREF) devido a atrasos em pagamentos de dívidas com clubes, funcionários e autoridades públicas. O clube reconheceu as pendências e informou que os casos já estavam em processo de resolução.
É neste contexto financeiro complexo que a negociação da SAF se mantém como um ponto de atenção. Para o Fluminense, a operação representa a possibilidade de receber um aporte financeiro substancial, capaz de aliviar a pressão sobre as finanças e aumentar a capacidade de investimento. Contudo, antes de um acordo, o clube busca condições mais favoráveis na proposta que poderá ser reavaliada ainda em 2026.
