Fluminense pede fôlego em proibição de apostas e alerta para prejuízos
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O Fluminense FC se manifestou sobre a recente medida provisória do presidente Lula que visa proibir as apostas de quota fixa no Brasil. Em nota oficial, o Tricolor das Laranjeiras defendeu a necessidade de um período de transição para o encerramento das atividades dessas empresas, argumentando que a decisão abrupta pode gerar consequências financeiras significativas para o clube e toda a cadeia produtiva envolvida. O clube reconhece as preocupações legítimas com endividamento e vício, mas pede que o governo considere os contratos e compromissos já estabelecidos.
Segurança jurídica e contratos em risco
Um dos pontos centrais da argumentação do Fluminense reside na segurança jurídica dos acordos já firmados. O clube possui um contrato de patrocínio máster com uma casa de apostas, que foi estruturado com base em receitas projetadas para os próximos anos. A renovação do acordo com a Superbet, válida até o fim de 2029, prevê um valor fixo anual de R$ 53 milhões, podendo chegar a R$ 86 milhões com bônus. Uma proibição imediata poderia comprometer o cumprimento desses compromissos financeiros e gerar prejuízos.
Impacto direto no dia a dia do clube
A decisão governamental também afeta a operação comercial do Fluminense. Como exemplo prático, o clube citou o estoque das lojas oficiais, que contém camisas com a marca do patrocinador máster para os próximos seis meses. Uma mudança repentina nas regras de patrocínio e publicidade pode gerar perdas financeiras e afetar empregos em toda a cadeia de suprimentos.
Efetividade da medida e o mercado clandestino
O Fluminense também levanta dúvidas sobre a real efetividade da proibição. O clube argumenta que a retirada das empresas reguladas do mercado pode abrir espaço para a proliferação de operações clandestinas, que não seriam fiscalizadas nem tributadas, e ofereceriam menos proteção aos apostadores. Essa perspectiva é apoiada por dados que indicam a movimentação financeira expressiva do setor, com estimativas de perdas líquidas de R$ 62,5 bilhões para as famílias brasileiras em 2025, segundo levantamento do Comsefaz.
O impacto no esporte e nas categorias de base
Além do futebol profissional masculino, o Fluminense destaca que as receitas provenientes do patrocínio de empresas de apostas também são fundamentais para o financiamento de outras modalidades e categorias. O clube utiliza esses recursos para sustentar as categorias de base, o futebol feminino e os esportes olímpicos, que empregam centenas de atletas e profissionais. A interrupção abrupta desses investimentos pode comprometer o desenvolvimento e a manutenção dessas áreas.
Arrecadação pública e a necessidade de transição
O argumento final do Fluminense se volta para a arrecadação pública. O mercado de apostas, quando regulado, gera bilhões em tributos que são destinados a diversas áreas, como esporte, seguridade social, segurança pública, educação e saúde. A proibição pode levar a uma perda de arrecadação significativa, cujos recursos precisariam ser buscados em outras fontes. Estudos indicam que a redução do consumo e da atividade econômica decorrente da proibição pode gerar uma perda tributária superior à receita diretamente obtida com o setor.
O clube reforça que, caso a proibição seja mantida, um período de transição adequado é fundamental para que o Fluminense e outras entidades esportivas possam se reorganizar, renegociar contratos e minimizar os impactos negativos. A decisão deve ser guiada por dados concretos e pela análise da efetividade das alternativas propostas, segundo o Tricolor.
