Castilho venceu Yashin e Fluminense silenciou russos em 1963
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FOTOS HISTÓRICAS COPA DO MUNDO – Lev Yashin URSS contra a Alemanha Oriental em 1966 — Foto: Agência AP
Em 1963, o Fluminense FC vivenciou um capítulo memorável de sua história ao enfrentar o Dínamo Moscou na Rússia, durante uma excursão pela Europa. A partida, porém, carregava bem mais do que apenas o peso de um jogo amistoso: pressões políticas, um duelo épico entre dois dos maiores goleiros do mundo e uma situação inusitada que revelava a intensidade do futebol tricolor daquela época.
A Pressão do Governador e a Missão em Moscou
Na sala da embaixada brasileira na Rússia, Procópio Cardoso, zagueiro e capitão do Fluminense, recebeu uma mensagem que carregava o peso de decisões muito além do campo. Carlos Lacerda, governador do Rio de Janeiro na época, fez chegar ao clube um telegrama deixando claro: era preciso vencer o Dínamo Moscou. A pressão política se transformava em motivação para o elenco tricolor, criando um contexto que misturava futebol e diplomacia.
O Duelo Lendário: Castilho Contra Yashin
Enfrentar Lev Yashin, porém, não era tarefa simples. O goleiro soviético, conhecido como a Aranha Negra, era considerado um dos maiores guardiões do futebol europeu e ao final de 1963 se tornaria o primeiro e único goleiro a conquistar a Bola de Ouro, sendo reconhecido como o melhor jogador do mundo naquele ano.
No entanto, o Fluminense tinha em suas fileiras outro grande guardião: Castilho. Segundo Procópio, em entrevista ao ge, o goleiro tricolor estava em seu melhor dia no confronto. “Ele era um absurdo. Era o melhor goleiro da época. Mas nós também tínhamos Castilho, né? Castilho também pegava tudo. Naquele dia ele estava em ‘dia de Castilho’, fechando o gol”, recordou o ex-zagueiro.
Pancadaria em Campo e Protesto no Intervalo
Motivado pela missão política de vencer, o Fluminense chegou forte nas divididas e assustou os russos. O confronto ganhou tons de agressividade que preocuparam os soviéticos, resultando em um episódio incomum durante o intervalo, quando o placar ainda marcava 0 a 0.
“A ligação pegou a gente, fomos com muita vontade de ganhar o jogo. Aí na violência não fugimos em hora nenhuma, nenhuma mesmo. No intervalo o dirigente soviético veio pedir para que a gente batesse menos. Eu mandei ele falar isso com o vestiário dele e, quando ele foi embora, falei para continuarmos batendo”, revelou Procópio com certa dose de bom humor ao recordar a situação.
O Gol da Vitória e o Triunfo Tricolor
A resposta do Fluminense ao apelo dos russos veio em forma de gol. Aos 10 minutos do segundo tempo, Joaquinzinho disparou um “chutaço de fora da área” que Yashin não conseguiu acompanhar, selando a vitória por 1 a 0 para o time carioca. O duelo entre os dois grandes goleiros havia sido decidido, mas foi o meio de campo tricolor quem levou a melhor.
Após o triunfo, o clube ofereceu folga aos jogadores, que desfrutaram de alguns dias de descanso na Europa com diária e hospedagem pagas, antes de retornarem ao Rio de Janeiro para o foco no Campeonato Carioca.
Um Elenco de Craques na História do Fluminense
Além de Procópio, Castilho e Joaquinzinho, o elenco tricolor de 1963 era formado por outros grandes nomes que marcaram época no clube, como Carlos Alberto Torres, que estava no começo de uma carreira que o consagraria como um dos maiores laterais da história do futebol, e Denílson, conhecido como o Rei Zulu.
