Fluminense e Flamengo unem forças contra MP e exibem protesto
Leitura estimada: 3 min
Fluminense FC entrou em campo neste domingo, no Maracanã, com uma mensagem contundente ao lado do seu rival, o Flamengo: “Proibir não é proteger”. A ação conjunta, exibida no espaço máster das camisas, é um protesto contra a Medida Provisória 1.394/2026, que visa proibir a operação e a publicidade de casas de apostas de quota fixa no Brasil.
A iniciativa partiu das patrocinadoras dos clubes, Superbet e Betano, que propuseram a união dos rivais cariocas em uma manifestação inédita durante o clássico. O acordo entre as empresas e os clubes permitiu que a mesma mensagem fosse estampada nos uniformes, em um ato que visa ampliar a discussão sobre os impactos da MP.
Ação conjunta no Fla-Flu
Argumento contra a proibição
A frase “Proibir não é proteger” é o slogan central de uma campanha liderada por empresas do setor de apostas. O argumento principal é que a proibição de plataformas regulamentadas não elimina a demanda por apostas, podendo, na verdade, impulsionar a atuação de operadores ilegais, que operam fora do controle oficial. As empresas defendem que a regulamentação permite uma fiscalização mais eficaz e a implementação de mecanismos para combater a dependência e o endividamento dos apostadores. O governo federal, por outro lado, justifica a medida pela necessidade de lidar com os efeitos negativos das apostas na saúde pública, especialmente em relação ao vício e ao superendividamento familiar.
Impacto nos contratos de patrocínio
A medida provisória teve um impacto direto nos contratos de patrocínio. O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, confirmou que o contrato com a Superbet foi suspenso. Segundo ele, a principal contrapartida do clube era a exposição da marca da patrocinadora, o que se tornou inviável com as restrições impostas. Montenegro explicou que o acordo não foi rescindido e que as partes estão em negociação, considerando a possibilidade de renegociação diante das restrições legais. O Fluminense utilizou a marca Superscore, plataforma de estatísticas esportivas do mesmo grupo da Superbet, em jogos anteriores, mas para o clássico contra o Flamengo, optou pela mensagem de protesto. A previsão é que a Superscore retorne ao uniforme após o clássico.
Detalhes do contrato com a Superbet
O contrato entre Fluminense e Superbet, renovado em março de 2026, tem validade até o final de 2029 e pode alcançar R$ 86 milhões por ano, com R$ 53 milhões fixos e R$ 33 milhões em bônus. A suspensão do contrato afeta diretamente a receita do clube.
Flamengo também afetado
O Flamengo, patrocinado pela Betano, também foi diretamente impactado pela medida provisória. Assim como o Fluminense, o clube substituiu a marca da patrocinadora pela frase de protesto no jogo contra o Santos e repetirá a ação no clássico. O impacto financeiro para os clubes vai além da exposição das marcas nos uniformes, afetando outras receitas comerciais ligadas ao setor. Apesar das mudanças temporárias, nem Flamengo nem Fluminense anunciaram o rompimento definitivo dos contratos, aguardando os desdobramentos da medida provisória e as negociações com as empresas.
O que diz a Medida Provisória
A Medida Provisória 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro de 2026, proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A norma também atingiu os patrocínios esportivos, com um cronograma que estabelecia prazos para a retirada de materiais publicitários e marcas. As empresas tinham até 5 de outubro para adequar suas ações, e a partir de 6 de outubro, as plataformas deveriam interromper suas operações. O governo justificou a medida pela necessidade de enfrentar os impactos das apostas na saúde pública. A MP ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional e é alvo de questionamentos judiciais pelo setor.
