Fluminense: Proposta de SAF completa um ano sem desfecho
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Proposta inicial da SAF Fluminense — Foto: Reprodução YouTube
Fluminense: Proposta de SAF completa um ano sem desfecho
Um ano após a primeira apresentação pública, a negociação para a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Fluminense FC segue em compasso de espera. O fundo Lazuli Partners, que demonstrou interesse na aquisição, ainda não apresentou uma proposta reformulada, apesar da expectativa de que isso ocorresse ainda em 2025. A diretoria do clube, liderada pelo presidente Mattheus Montenegro, busca aprimorar os termos, especialmente no que diz respeito ao valor do aporte inicial.
Avanço nas Negociações e Impasses
A negociação para a venda da SAF do Fluminense, iniciada formalmente em setembro de 2025, tem se mostrado um processo complexo. Fontes do mercado consideram o tempo dedicado às tratativas como normal, dada a magnitude do acordo. No entanto, a transição pós-eleição no clube e a espera pela publicação do balanço financeiro de 2025 acabaram por atrasar as discussões.
Detalhes da Proposta e Cláusulas
A expectativa é que uma proposta concreta e revisada seja apresentada nos próximos meses, permitindo o início de um debate mais aprofundado sobre os termos da venda. Além do valor do aporte, pontos cruciais como as cláusulas do acordo de acionistas e a governança corporativa, que visam proteger os interesses do clube, estão em discussão. Estima-se que ainda seja necessário pelo menos mais um mês para que haja definições mais palpáveis.
Situação Financeira e Operacional do Fluminense
Apesar da demora na definição da SAF, o Fluminense tem conseguido honrar seus compromissos financeiros. O clube não apresenta pendências significativas com o elenco, mantendo o pagamento de salários e direitos de imagem em dia, com eventuais atrasos de poucos dias sendo comunicados e devidamente cumpridos. Essa gestão tem sido fundamental para evitar sanções legais e manter a confiança dos jogadores.
Gestão de Dívidas e Recursos
O presidente Mattheus Montenegro tem sido enfático ao explicar que, embora a dívida total do clube tenha aumentado para R$ 1,05 bilhão (com valores corrigidos pela Selic), o Fluminense tem conseguido equacioná-la, mas não reduzi-la. Mecanismos como o Regime Centralizado de Execuções (RCE) têm sido cruciais para dar fôlego ao planejamento financeiro, permitindo que o clube cumpra com os pagamentos de dívidas tributárias e cíveis. A aprovação das contas pelo Conselho demonstra a capacidade de gestão, mesmo que a manutenção das operações dependa da venda de atletas.
Arrecadação e Cenário Econômico
A meta de arrecadação com vendas de jogadores para 2026, prevista em cerca de R$ 200 milhões, não foi alcançada. A única venda de maior expressão foi a do volante Bernal, por US$ 12 milhões, sendo que o clube detinha 60% dos direitos econômicos, resultando em um recebimento líquido de US$ 7,2 milhões. Para compensar essa baixa arrecadação, bons resultados esportivos, como a conquista da Libertadores, que renderia um valor expressivo em premiações, tornam-se cruciais.
Impacto da Copa do Mundo de Clubes
A receita recorde de mais de R$ 1 bilhão em 2025 foi impulsionada pela participação na Copa do Mundo de Clubes. Dos R$ 331 milhões arrecadados com a campanha, R$ 290 milhões foram líquidos após descontos de premiações para jogadores, custos de logística e pagamentos de acordos judiciais. O valor remanescente foi destinado à folha salarial e contratações.
Advertência da ANSREF
No final de agosto, o Fluminense recebeu uma advertência de grau mínimo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANSREF) por atrasos no pagamento de dívidas com outros clubes, empregados e autoridades públicas. O clube reconheceu a situação e informou que os problemas já foram endereçados e estão sendo acompanhados para conclusão.
